Há dez anos, analistas falavam de uma "onda rosa" na América Latina — governos de esquerda chegando ao poder em sequência, de Lula a Chávez, de Kirchner a Correa. Depois veio a "onda azul" — a reação conservadora, de Macri a Bolsonaro, de Piñera a Hernández. Hoje, em 2026, a metáfora das ondas parece insuficiente para descrever a complexidade política do continente.
O que existe é uma fragmentação. Governos de esquerda e de direita coexistem no continente sem que isso implique necessariamente convergência ou divergência em política externa, econômica ou social. As etiquetas ideológicas perderam poder explicativo.