A presidência brasileira do BRICS, iniciada em janeiro de 2025, coincidiu com um momento de inflexão para o bloco. Com a entrada de Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos em 2024, o BRICS deixou de ser um acrônimo de economias emergentes para se tornar algo mais ambíguo — e mais politicamente carregado.
Para o Brasil, a presidência do BRICS é uma oportunidade de projeção internacional, mas também um teste de sua capacidade de navegar entre interesses contraditórios. De um lado, os parceiros históricos — China e Rússia — que empurram o bloco para uma postura mais explicitamente anti-ocidental. De outro, os interesses econômicos brasileiros, que dependem tanto do comércio com os países do Sul Global quanto das relações com Europa e Estados Unidos.
O que o Brasil quer
A resposta oficial, expressa em documentos diplomáticos e discursos do Itamaraty, é: reforma da governança global, maior representação dos países em desenvolvimento nas instituições multilaterais, e um sistema financeiro internacional menos dependente do dólar.
Esses objetivos são legítimos e têm apoio amplo no espectro político brasileiro. Mas a questão é como alcançá-los — e se o BRICS é o veículo adequado para isso.